Cristo, presente nas ações
litúrgicas, é o protagonista de toda celebração. Ele está presente no dinamismo
dos sacramentos, nas espécies eucarísticas, na Palavra proclamada, no ministro
e na assembleia reunida para rezar e cantar os salmos.
Celebrar é fazer memória viva
dos grandes feitos do Senhor: é cantá-los, recitá-los, e recordá-los nos ritos
e nas orações da Igreja. Nós cristãos, celebramos o Mistério Pascal de Cristo,
sua vida, paixão, morte e ressurreição. Mistério da nossa salvação, no qual
somos inseridos pelos sacramentos, em especial os da Iniciação à Vida Cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia,
para que, passo a passo, possamos progredir na vida de Cristo e na comunhão
eclesial.
A celebração litúrgica é a
ritualização do Mistério da Páscoa do Senhor, especialmente a Eucaristia na
qual se renova a aliança do Senhor com o seu povo. Por isso, exige de toda a
comunidade cristã uma sólida formação como iniciação aos mistérios celebrados,
para que favoreça a participação ativa e consciente, não cedendo a criativismos
ou rubricismos vazios.
Indicações
Pastorais
-
Valorizar a Palavra de Deus. Proporcionar formação litúrgica para o ministério
de leitores, para que com competência proclamem a Palavra;
a.
Promover
nas Igrejas Particulares os ministérios de leitorato e acolitato para cristãos
leigos e leigas;
b.
Cuidar
da arte de presidir. Garantir que ministros ordenados e leigos que presidem a
oração comuniquem reverência e simplicidades, usando bem a voz, o silêncio, os
gestos e as palavras, para conduzir a assembleia à oração. Que a homilia seja
fundamentada nos textos litúrgicos e/ou bíblicos, breve e que nutra a vida
cristã;
c.
Selecionar
cantos adequados ao tempo e ao rito, de preferência do Hinário Litúrgico da
CNBB, de modo que, realmente, ajudem a assembleia a celebrar. As melodias do
salmo, por exemplo, sejam escolhidas para também favorecer a participação ativa
de todos;
d. Adotar vestes litúrgicas com nobre simplicidade, evitando que chamem para si a atenção e desviem o foco do mistério celebrado;
e. Dispor
o espaço celebrativo de modo simples, belo e acolhedor, respeitando a história
e a arte local, evitando pompas e garantindo que tudo conduza ao encontro com
Cristo, valorizando a importância do altar e do ambão;
f. Valorizar
a Celebração da Eucaristia, especialmente a dominical, páscoa semanal. Onde ela
não é possível, promover a Celebração da Palavra, onde Cristo está também
presente, utilizando-se subsídios de caráter litúrgico;
g. Cuidar
para que a Adoração Eucarística seja promovida conforme os documentos Sagrada
comunhão e culto do mistério eucarístico fora da Missa e Sacramentum
Caritatis;
h. Intensificar
a formação litúrgica permanente dos ministros ordenados, seminaristas, vida
consagrada e cristãos leigos e leigas.
i. Promover
e/ou fortificar a constituição das Comissões Regionais e Diocesanas de
Liturgia, Música e Arquitetura-Arte Sacra. A partir delas, incentivar uma
Pastoral Litúrgica que atinja as paróquias e comunidades.
Piedade
popular
A
piedade popular é o conjunto de expressões de fé — individuais ou comunitárias
— nascidas da do encontro do Evangelho com a vida, a cultura e a sensibilidade
do povo, que brotam dentro do contexto da fé cristã e expressam uma sede de
Deus profundamente enraizada no coração dos simples, gerando atitudes como
confiança, sacrifício, paciência e solidariedade. Já a religiosidade popular é
uma realidade mais ampla: refere-se à busca religiosa presente em todos os
povos e culturas, expressão natural do desejo humano de Deus, mas que nem
sempre se
fundamenta
na revelação cristã. Assim, enquanto a religiosidade popular é universal e pode
assumir muitas formas, a piedade popular é expressão propriamente cristã, um
verdadeiro tesouro do Povo de Deus que, mesmo nascendo fora da liturgia, conduz
ao encontro com Cristo.
A
relação entre liturgia e piedade popular sempre acompanhou a vida da Igreja.
O Concílio Vaticano II recorda que toda celebração litúrgica é ação de Cristo e
da Igreja, superior a qualquer outra expressão de fé; ao mesmo tempo,
reconhece que a piedade popular é ação do Espírito e produz frutos de graça.
Assim, liturgia e piedade popular não são opostas, mas devem caminhar em
harmonia, respeitando sua hierarquia e seu papel na vida espiritual do povo.
A
liturgia, especialmente na celebração da Eucaristia, é fonte e cume da vida
cristã, porque foi querida por Cristo e nos insere diretamente no Mistério
Pascal; já a piedade popular, com suas formas simples e simbólicas, aproxima a
fé da vida diária e favorece a oração do coração. Ambas se enriquecem quando
são bem orientadas: a piedade popular conduz à liturgia, e a liturgia ilumina e
purifica a piedade popular. Assim sendo, expressões da piedade popular sejam
acolhidas com discernimento na liturgia. Para isso, a formação de clérigos e
cristãos leigos e leigas é indispensável: é preciso ensinar a linguagem da
liturgia, suas raízes na história da salvação e, também, transmitir o valor das
devoções que alimentam a vida espiritual e formam gerações de cristãos. Essa
integração evita desvios, impede reducionismos e fortalece uma vida espiritual
equilibrada, capaz de unir celebração, oração pessoal e compromisso
missionário.
A piedade popular, para servir verdadeiramente
à evangelização, além de enraizar-se nos símbolos e gestos que brotam da fé do
povo, precisa inspirar-se na
Sagrada
Escritura, manter a centralidade de Jesus Cristo, integrar-se ao ritmo da
liturgia da Igreja e não se desviar para práticas mágicas ou espiritualidades
de mercado e outras manipulações. É importante também distinguir piedade
popular de folclore, que possui seu valor cultural, mas não constitui
espiritualidade cristã. Assim, a piedade popular permanece expressão autêntica
da fé quando conduz ao Evangelho, fortalece o sentido de Igreja e ajuda o povo
a encontrar Cristo no cotidiano.
Para discernir a piedade popular de outras
manifestações religiosas populares, a Igreja estabeleceu alguns critérios.
Devem ser evitados: manifestações cultuais que não expressam uma verdadeira
adesão de fé em Cristo; a hipervalorização do dado emotivo, sem que isso
comprometa o devoto com um real caminho de fé; o fanatismo, que incapacita o
fiel de captar a sã tradição cristã; as atitudes fortemente individualistas,
que não se integram na comunidade de fé; e a evasão da realidade, sem
compromisso com o Reino de Deus.
É
urgente ver como instrumento de evangelização as expressões culturais da
piedade popular conforme orientou o Papa Francisco, é necessário que a Igreja,
através dos bispos diocesanos e as conferências Episcopais, “valorizem e
protejam as culturas locais com seu patrimônio de sabedoria e espiritualidade
como riqueza para toda a humanidade.
Indicações
Pastorais
a. Valorizar
os santuários como lugares de encontro com a misericórdia de Deus, reconhecendo
que, neles, os fiéis experimentam a centralidade do Mistério de Cristo, a
ternura materna de Maria e o testemunho e a intercessão dos santos;
b. Favorecer
nos santuários experiências verdadeiramente simbólico-litúrgicas das bênçãos
como expressão de piedade popular, conforme o previsto no Ritual de Bênçãos,
com horários específicos, com ritualidade, envolvendo música, ministérios,
espaço etc;
c. Valorizar
as novenas, tríduos e festas dos padroeiros das Paróquias e comunidades, como
ocasiões privilegiadas de encontro com Jesus Cristo e com os irmãos;
d. Confrontar
continuamente a piedade popular com o Evangelho, promovendo um caminho de
conversão que impeça manipulações ou distorções da fé;
e. Distinguir
claramente as expressões devocionais das celebrações litúrgicas, evitando
misturas de ritos, gestos, cantos e espaços, para que cada forma de culto seja
vivida com autenticidade e fidelidade à Igreja;
f. Regular
as práticas devocionais por meio do Ordinário local, garantindo que estejam em
conformidade com a doutrina católica, evitando desvios e assegurando que a
piedade popular conduza à liturgia sem substituí-la;
g. Valorizar o que já temos de inculturação entre Liturgia e Piedade Popular, como o Ofício Divino das Comunidades (ODC);
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