quinta-feira, 6 de agosto de 2026

ADORAÇÃO EUCARISTICA 6 AGOSTO 2026

 





 

Canto de exposição ao Santíssimo

Motivação do coordenador pastoral ou do ministro

Momento de silencio

Leitura da Bíblia: Mt 14,22-33

Depois da multiplicação dos pães, 22 Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23 Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. 24 A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. 25 Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26 Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: "É um fantasma". E gritaram de medo. 27 Jesus, porém, logo lhes disse: "Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!" 28 Então Pedro lhe disse: "Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água". 29 E Jesus respondeu: "Vem!" Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30 Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: "Senhor, salva-me!" 31 Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: "Homem fraco na fé, por que duvidaste?" 32 Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. 33 Os que estavam no barco, prostraram-se diante dele, dizendo: "Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!"

Momento de silencio

Canto de meditação

Silencio

Leitura Patrística:  Orígenes

Coragem! Sou Eu!

 

Se em alguma ocasião chegássemos a tombar no recife das tentações, recordemos que foi Jesus quem nos mandou subir na barca da prova, e que quer que lhe precedamos na margem oposta. Pois é impossível, para quem não passou pela tentação das ondas e do vento contrário, chegar àquela margem. Assim, quando nos víssemos cercados por múltiplas dificuldades, e mediante um esforço moderado tivéssemos de certa forma conseguido esquivar-se delas, imaginemos que nossa barca se encontra em mar aberto, sacudida pelas ondas que desejariam fazer-nos naufragar na fé ou em alguma outra virtude. Porém, quando víssemos que é o espírito do mal que ataca-nos, então temos de concluir que o vento nos é contrário.

Contudo, quando suportando o vento contrário tivessem transcorrido as três vigílias da noite, isto é, das trevas que acompanham a tentação, lutando intrepidamente de acordo com as nossas forças, procurando escapar ao naufrágio da fé – a primeira vigília representa o pai das trevas e do pecado; a segunda seu filho, “o adversário”, em revolta contra tudo o que traz o nome de Deus ou o que é objeto de adoração; a terceira, o espírito inimigo do Espírito Santo, estejamos seguros que, vindo a quarta vigília, quando a noite vai adiantada e está prestes a amanhecer, o Filho de Deus virá junto a nós, caminhando sobre as ondas para acalmar o nosso mar agitado. E quando víssemos que o Verbo nos aparece, talvez nos assustemos antes de percebermos de que estamos na presença do Salvador, e crendo ver um fantasma gritaremos atemorizados, mas Ele nos dirá em seguida: Coragem, sou Eu, não tenham medo!

E se entre nós se encontrar outro Pedro, mais fortemente comovido pelas palavras de coragem do Senhor, esse Pedro em caminho para uma perfeição que ainda não alcançou, descendo da barca – como fugindo da tentação que o acometia – em um primeiro momento andou querendo aproximar-se de Jesus sobre as águas; porém, sendo a sua fé ainda insuficiente, e agitado pela dúvida, sentirá a força do vento, sentirá o medo e começará a afundar. Mas não afundará, porque gritando se dirigirá a Jesus suplicando: Senhor, salva-me! E imediatamente, também a este Pedro que lhe suplica dizendo: Senhor, salva-me, o Verbo lhe estenderá a mão e socorrerá a este homem, agarrando-o no preciso momento em que começava a afundar, e lançando-lhe em face sua pouca fé e o ter duvidado. Contudo, observa que não lhe disse: “incrédulo”, mas homem de pouca fé, e que acrescentou: Por que duvidaste?, como alguém que, apesar de ter um pouco de fé, vacila e não se comporta de modo contrário.

Momentos depois, tanto Jesus como Pedro subiram na barca e o vento se acalmou. Os que estavam na barca, percebendo de que perigo foram salvos, o adoraram dizendo: Realmente és o Filho de Deus.

 

Silencio

Canto de meditação

Silencio

Preces espontâneas (o ministro convida a partilhar pedidos a voz alta)

Pai nosso

Canto de reposição do Santíssimo Sacramento.

 

 

 

domingo, 2 de agosto de 2026

ENCONTRO DE FORMAÇÃO DOS CATEQUISTAS DOMINGO 2 AGOSTO 2026

 






CALENDÁRIO PASTORAL 3-9 AGOSTO 2026

 




 

 

SEGUNDA 3

8-9: projeto Melhor idade, vida saudável (Santo Antônio)

15: projeto Terceira idade, amizade e união (São Vicente)

19,30: terço dos homens na comunidade santo Antônio

19: Grupo de oração Mensageiros da paz: são Vicente

19: Canja Cáritas Cristo Rei

 

TERÇA 4

7,30: projeto Viva a melhor idade (São Pedro)

9-11: visita dos ministros aos doentes e idosos da comunidade são Pedro

15: visita dos ministros aos doentes e idosos da comunidade santo Antônio

19,30: missa paroquial de aniversário de 30 anos de ministerio de ordenação de padre Geraldo Bendarãn, Dom Zenildo e dom José

 

QUARTA 5

6-7,30: cafezinho Cáritas em santo Antônio

8-9: projeto Melhor idade, vida saudável (Santo Antônio)

15-18: atendimento psicológico (paróquia)

19,30: Estudo Bíblico em são Vicente para todas as comunidades

 

QUINTA 6

7,30: projeto Viva a melhor idade (são Pedro)

9-12: atendimento psicológico (paróquia)

15-18: atendimento psicológico (paróquia)

19: adoração eucarística nas comunidades.

20: Canja Cáritas comunidade são Sebastião

 

SEXTA 7

6: cafezinho Cáritas comunidade de Santo Inacio

8-9: projeto Melhor idade, vida saudável (Santo Antônio)

 

SÁBADO 8


Tarde: equipes litúrgicas nas comunidades preparando as celebrações

Tarde: catequese nas comunidades

14;18: o padre atende na secretaria paroquial

17: preparação da homilia com os ministros que atuam no próximo domingo

18: Caritas 

19,30: Pastoral familiar em santo Antônio 

19,30: adoração eucarística (organizada pela pastoral da juventude)

 

DOMINGO 9

7: Santo Antônio, celebração com o ministro Gecivaldo

7,30: Missa Rosário

9: Missa são Sebastião

9: Celebração da Palavra com o ministro Antônio

10: visita aos doentes (comunidade são Sebastião)

18: Missa santo Inacio

18: Celebração em são Pedro com o ministro Zé Maria

19: Conselho pastoral comunidade santo Inacio

19,15: Conselho Pastoral comunidade são Pedro

19,30: Missa são Vicente

sábado, 25 de julho de 2026

Jovens: DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL 2026-2032

 


 


 

O Sínodo dos Jovens65 afirmou que as juventudes têm um papel indispensável na renovação sinodal da Igreja, pois trazem forte sensibilidade à espiritualidade, à

busca de sentido da vida, à fraternidade, à justiça social e ao cuidado da Casa Comum. Por isso, é urgente que nossas comunidades lhes abram espaço real, para que vivam seu processo de discernimento vocacional, acolhendo suas formas criativas de viver o Evangelho para que sejam protagonistas da missão da Igreja, especialmente na evangelização dos jovens de sua geração.

86. No jubileu dos jovens, o Papa Leão XIV afirmou que não fomos feitos para uma “vida onde tudo é óbvio e parado, mas para uma existência que se renova constantemente no dom, no amor”, que “aspiramos continuamente a um ‘algo mais’ que nenhuma realidade criada nos pode dar”, que “sentimos uma sede tão grande e ardente que nenhuma bebida deste mundo pode saciar”, que é preciso abrir o coração a Cristo, deixando-o entrar, “para depois nos aventurarmos com Ele rumo aos espaços eternos do infinito”66.

87. A Igreja, ao dedicar um Sínodo inteiro às juventudes, assumiu uma prioridade pastoral histórica: investir tempo, energia e recursos para caminhar com os jovens67, oferecendo-lhes o testemunho da proximidade, do amor que escuta e acompanha, capaz de tocar a vida e despertar esperança. Para isso, nossas dioceses e comunidades precisam acolher as expressões juvenis, fortalecendo o Setor Juventude, e oferecer um encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, capaz de gerar uma conversão de estilo de vida que impulsione à missão. Só assim a Igreja poderá estar ao lado deles com linguagem, gestos e caminhos que falem ao coração e abram horizontes de fé e missão. Todos os ministérios, pastorais, organismos, serviços, movimentos e grupos são corresponsáveis pela acolhida dos jovens e promoção da pastoral juvenil.

 

 

Catequese DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL 2026-2032

 




 

Inicição à Vida Cristã

Nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo (Jo 4,42).

O Sínodo sobre a Sinodalidade recorda-nos que “não é possível compreender plenamente o Batismo senão no âmbito da Iniciação Cristã”

Por uma igreja sinodal, n. 24. . A formação dos discípulos missionários nasce e se enraíza na Iniciação à Vida Cristã (IVC) de inspiração catecúmena, quando cada pessoa é introduzida na relação com o Senhor e na comunhão da Igreja por meio de pais, padrinhos, catequistas, educadores, agentes da liturgia, ministros ordenados e comunidades. Mais que uma pastoral entre outras, a Iniciação à Vida Cristã é o eixo unificador de toda ação evangelizadora, pois visa formar, de modo inicial e permanente, discípulos missionários capazes de viver e transmitir a fé cristã no coração de uma civilização em constante mudança.

1.                  A catequese de inspiração catecumenal é fundamentalmente um encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, indo além do simples ensino doutrinário para proporcionar uma experiência de intimidade, amor e amizade. É um processo gradual, sistemático e permanente de amadurecimento na fé que transforma a existência. Em íntima relação com a liturgia, deve também integrar as demais dimensões eclesiais — diakonia (serviço), martyria (testemunho) e koinonia (comunhão) — para formar discípulos missionários em todas as expressões da vida cristã.

112. Urge a vivência de um dinamismo catecumenal sustentado pelo querigma e pela mistagogia, de modo que toda a comunidade se reconheça em permanente estado de missão. A Iniciação à Vida Cristã é o processo pelo qual uma pessoa é introduzida no mistério de Jesus Cristo e na vida da Igreja, por meio da escuta da Palavra e pelas mediações sacramentais, que vão acompanhando as mudanças de suas atitudes fundamentais e de seu ser e existir com os demais e com o mundo, formando sua nova identidade como pessoa cristã que testemunha o Evangelho.

113. A Iniciação à Vida Cristã propõe o querigma como o primeiro anúncio fundamental, capaz de proporcionar uma experiência de encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo a todos os que buscam um caminho para viver. Contudo, não podemos deixar de propor uma contínua formação discipular, baseada no permanente anúncio querigmático, a quem já caminha com Cristo na comunidade. É necessário ajudar os cristãos já iniciados na vida cristã a continuarem a caminhar com a comunidade eclesial aprofundando o seu encontro com o Senhor, na Palavra, na Liturgia, sobretudo na Eucaristia, e na caridade.

114. Precisamos de ministros instituídos, novas metodologias e linguagens que respondam ao clamor dos catecúmenos, dos jovens em busca de uma experiência de fé, dos pais que procuram a Igreja pelos sacramentos dos filhos e dos muitos adultos batizados mas pouco evangelizados, que vivem hoje o risco, dentre outros, do indiferentismo religioso e a influência da cultura digital. O Batismo das crianças é ocasião privilegiada para um verdadeiro caminho catecumenal: mais que um simples “curso para pais e padrinhos”, trata-se de acompanhar pessoalmente as famílias, ajudando-as a descobrir, a caminhar, a responder suas dúvidas e enriquecer-se com suas histórias e culturas

 

Indicações pastorais

  1.  Assumir a vida cristã como caminho de crescimento no amor, reconhecendo que educação e catequese servem a esse processo contínuo;
  2. Elaborar um projeto diocesano de Iniciação à Vida Cristã que envolva e renove as comunidades, com itinerários adequados à realidade local, conforme o Documento 107, Iniciação à Vida Cristã;
  3. Aprofundar a Iniciação à Vida Cristã com o clero e os seminaristas, para que assumam a IVC como prioridade de sua missão, garantindo sua participação no processo;
  4. Favorecer e aperfeiçoar a catequese de inspiração catecumenal em todas as idades, unindo Catequese, Liturgia e Leitura Orante e integrando famílias, crianças, jovens e adultos;
  5. Fazer da catequese um espaço de diálogo, no qual catequistas e catequizandos exercitam a escuta, o discernimento e a partilha da fé, vivendo a sinodalidade no processo catequético;
  6. Consolidar a Iniciação à Vida Cristã nos encontros com pais e padrinhos do Batismo, anunciando o querigma e integrando as famílias na comunidade;
  7. Propor uma catequese permanente com adultos, revisitando sempre o querigma, como pede o Papa Francisco
  8. Implantar os itinerários catecumenais para a vida matrimonial, conforme o Diretório para a Catequese (2020) e as orientações da Pastoral Familiar;
  9. Promover nas Igrejas Particulares o ministério instituído de catequista;
  10. Implantar uma formação permanente de catequistas que considere os critérios e itinerários formativos propostos no Documento 112 da CNBB, para a Instituição do Ministério laical de Catequistas, visando não apenas a Instituição, mas uma qualificada formação de catequistas;
  11. Adotar subsídios catequéticos com inspiração catecumenal, centrados na Leitura Orante, integrando celebrações e promovendo uma conversão que inclua compromisso com justiça, paz e Casa Comum;
  12. Organizar itinerários formativos para toda a comunidade, especialmente para agentes de pastoral, para que vivam a IVC, renovem a vida comunitária e fortaleçam a centralidade de Jesus Cristo e do Evangelho;
  13. Elaborar itinerários de Iniciação à Vida Cristã a partir da cultura dos povos originários;
  14. Garantir uma catequese inclusiva, porque todo batizado tem direito a uma catequese adequada.


Liturgia: DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL 2026-2032

 

 

Cristo, presente nas ações litúrgicas, é o protagonista de toda celebração. Ele está presente no dinamismo dos sacramentos, nas espécies eucarísticas, na Palavra proclamada, no ministro e na assembleia reunida para rezar e cantar os salmos.

Celebrar é fazer memória viva dos grandes feitos do Senhor: é cantá-los, recitá-los, e recordá-los nos ritos e nas orações da Igreja. Nós cristãos, celebramos o Mistério Pascal de Cristo, sua vida, paixão, morte e ressurreição. Mistério da nossa salvação, no qual somos inseridos pelos sacramentos, em especial os da Iniciação  à Vida Cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia, para que, passo a passo, possamos progredir na vida de Cristo e na comunhão eclesial.

A celebração litúrgica é a ritualização do Mistério da Páscoa do Senhor, especialmente a Eucaristia na qual se renova a aliança do Senhor com o seu povo. Por isso, exige de toda a comunidade cristã uma sólida formação como iniciação aos mistérios celebrados, para que favoreça a participação ativa e consciente, não cedendo a criativismos ou rubricismos vazios.

 

          Indicações Pastorais

          - Valorizar a Palavra de Deus. Proporcionar formação litúrgica para o ministério de leitores, para que com competência proclamem a Palavra;

a.    Promover nas Igrejas Particulares os ministérios de leitorato e acolitato para cristãos leigos e leigas;

b.   Cuidar da arte de presidir. Garantir que ministros ordenados e leigos que presidem a oração comuniquem reverência e simplicidades, usando bem a voz, o silêncio, os gestos e as palavras, para conduzir a assembleia à oração. Que a homilia seja fundamentada nos textos litúrgicos e/ou bíblicos, breve e que nutra a vida cristã;

c.    Selecionar cantos adequados ao tempo e ao rito, de preferência do Hinário Litúrgico da CNBB, de modo que, realmente, ajudem a assembleia a celebrar. As melodias do salmo, por exemplo, sejam escolhidas para também favorecer a participação ativa de todos;

d.   Adotar vestes litúrgicas com nobre simplicidade, evitando que chamem para si a atenção e desviem o foco do mistério celebrado;

e.    Dispor o espaço celebrativo de modo simples, belo e acolhedor, respeitando a história e a arte local, evitando pompas e garantindo que tudo conduza ao encontro com Cristo, valorizando a importância do altar e do ambão;

f.     Valorizar a Celebração da Eucaristia, especialmente a dominical, páscoa semanal. Onde ela não é possível, promover a Celebração da Palavra, onde Cristo está também presente, utilizando-se subsídios de caráter litúrgico;

g.   Cuidar para que a Adoração Eucarística seja promovida conforme os documentos Sagrada comunhão e culto do mistério eucarístico fora da Missa e Sacramentum Caritatis;

h.   Intensificar a formação litúrgica permanente dos ministros ordenados, seminaristas, vida consagrada e cristãos leigos e leigas.

i.     Promover e/ou fortificar a constituição das Comissões Regionais e Diocesanas de Liturgia, Música e Arquitetura-Arte Sacra. A partir delas, incentivar uma Pastoral Litúrgica que atinja as paróquias e comunidades.

          

Piedade popular

A piedade popular é o conjunto de expressões de fé — individuais ou comunitárias — nascidas da do encontro do Evangelho com a vida, a cultura e a sensibilidade do povo, que brotam dentro do contexto da fé cristã e expressam uma sede de Deus profundamente enraizada no coração dos simples, gerando atitudes como confiança, sacrifício, paciência e solidariedade. Já a religiosidade popular é uma realidade mais ampla: refere-se à busca religiosa presente em todos os povos e culturas, expressão natural do desejo humano de Deus, mas que nem sempre se

fundamenta na revelação cristã. Assim, enquanto a religiosidade popular é universal e pode assumir muitas formas, a piedade popular é expressão propriamente cristã, um verdadeiro tesouro do Povo de Deus que, mesmo nascendo fora da liturgia, conduz ao encontro com Cristo.

A relação entre liturgia e piedade popular sempre acompanhou a vida da Igreja. O Concílio Vaticano II recorda que toda celebração litúrgica é ação de Cristo e da Igreja, superior a qualquer outra expressão de fé; ao mesmo tempo, reconhece que a piedade popular é ação do Espírito e produz frutos de graça. Assim, liturgia e piedade popular não são opostas, mas devem caminhar em harmonia, respeitando sua hierarquia e seu papel na vida espiritual do povo.

A liturgia, especialmente na celebração da Eucaristia, é fonte e cume da vida cristã, porque foi querida por Cristo e nos insere diretamente no Mistério Pascal; já a piedade popular, com suas formas simples e simbólicas, aproxima a fé da vida diária e favorece a oração do coração. Ambas se enriquecem quando são bem orientadas: a piedade popular conduz à liturgia, e a liturgia ilumina e purifica a piedade popular. Assim sendo, expressões da piedade popular sejam acolhidas com discernimento na liturgia. Para isso, a formação de clérigos e cristãos leigos e leigas é indispensável: é preciso ensinar a linguagem da liturgia, suas raízes na história da salvação e, também, transmitir o valor das devoções que alimentam a vida espiritual e formam gerações de cristãos. Essa integração evita desvios, impede reducionismos e fortalece uma vida espiritual equilibrada, capaz de unir celebração, oração pessoal e compromisso missionário.

 A piedade popular, para servir verdadeiramente à evangelização, além de enraizar-se nos símbolos e gestos que brotam da fé do povo, precisa inspirar-se na

Sagrada Escritura, manter a centralidade de Jesus Cristo, integrar-se ao ritmo da liturgia da Igreja e não se desviar para práticas mágicas ou espiritualidades de mercado e outras manipulações. É importante também distinguir piedade popular de folclore, que possui seu valor cultural, mas não constitui espiritualidade cristã. Assim, a piedade popular permanece expressão autêntica da fé quando conduz ao Evangelho, fortalece o sentido de Igreja e ajuda o povo a encontrar Cristo no cotidiano.

 Para discernir a piedade popular de outras manifestações religiosas populares, a Igreja estabeleceu alguns critérios. Devem ser evitados: manifestações cultuais que não expressam uma verdadeira adesão de fé em Cristo; a hipervalorização do dado emotivo, sem que isso comprometa o devoto com um real caminho de fé; o fanatismo, que incapacita o fiel de captar a sã tradição cristã; as atitudes fortemente individualistas, que não se integram na comunidade de fé; e a evasão da realidade, sem compromisso com o Reino de Deus.

É urgente ver como instrumento de evangelização as expressões culturais da piedade popular conforme orientou o Papa Francisco, é necessário que a Igreja, através dos bispos diocesanos e as conferências Episcopais, “valorizem e protejam as culturas locais com seu patrimônio de sabedoria e espiritualidade como riqueza para toda a humanidade.

 

Indicações Pastorais

a.   Valorizar os santuários como lugares de encontro com a misericórdia de Deus, reconhecendo que, neles, os fiéis experimentam a centralidade do Mistério de Cristo, a ternura materna de Maria e o testemunho e a intercessão dos santos;

 

b.   Favorecer nos santuários experiências verdadeiramente simbólico-litúrgicas das bênçãos como expressão de piedade popular, conforme o previsto no Ritual de Bênçãos, com horários específicos, com ritualidade, envolvendo música, ministérios, espaço etc;

c.   Valorizar as novenas, tríduos e festas dos padroeiros das Paróquias e comunidades, como ocasiões privilegiadas de encontro com Jesus Cristo e com os irmãos;

d.   Confrontar continuamente a piedade popular com o Evangelho, promovendo um caminho de conversão que impeça manipulações ou distorções da fé;

e.   Distinguir claramente as expressões devocionais das celebrações litúrgicas, evitando misturas de ritos, gestos, cantos e espaços, para que cada forma de culto seja vivida com autenticidade e fidelidade à Igreja;

f.    Regular as práticas devocionais por meio do Ordinário local, garantindo que estejam em conformidade com a doutrina católica, evitando desvios e assegurando que a piedade popular conduza à liturgia sem substituí-la;

g.   Valorizar o que já temos de inculturação entre Liturgia e Piedade Popular, como o Ofício Divino das Comunidades (ODC);