Querida, querido catequista,
ministro, ministra, coordenador e coordenadora
A paz de Jesus esteja contigo.
Faz tempo que estou pensando
de escrever duas linhas sobre o sentido da vida da comunidade no estilo que
Jesus traçou e que a Igreja aponta com os seus documentos. Por isso me decidi
de partilhar com vocês que assumiram cargos na Igreja algumas reflexões.
A Igreja católica, nestes últimos
anos, ativou um processo assim chamado de sinodalidade, que consiste no método de
apreender a trabalhar juntos. A estrutura hierárquica da Igreja, ao longo dos éculos
focalizou o peso da responsabilidade nas figuras de comando: Papa, bispos,
padres. Papa Francisco, nos ajudou a retomar o jeito da Igreja primitiva trabalhar
(Atos 15), ou seja, na forma sinodal, envolvendo o povo de Deus nas decisões a
serem tomadas.
É exatamente este estilo sinodal
que a nossa arquidiocese de Manaus adotou há anos e, como pároco, desejo
incentivar na nossa paróquia. Por isso,
posso dizer com tranquilidade que, aceitando uma tarefa na comunidade, ao mesmo
tempo aceitamos de caminhar juntos com as pessoas, sentando-se na mesma mesa,
para tomarmos juntos as decisões em nome do Evangelho e dos ensinamentos da
Igreja. Por isso, desde que cheguei três anos atrás, coloquei um dia na semana
para juntos estudarmos o Evangelho e, um domingo por mês, para aprofundarmos os
ensinamentos da Igreja.
Assumir uma tarefa na
comunidade não significa desenvolver um trabalho individual, que manifesta as
próprias capacidades, mas sim a disponibilidade para caminharmos juntos.
Como Jesus convidou os seus
discípulos e discipulas para anunciar o reino de Deus e formar comunidades,
assim também nós somos convidados a ser sinal daquilo que anunciamos, ou seja,
sinal de comunhão.
Ser coordenador de uma
pastoral ou ter a tarefa de catequista, ministro/a ou outra função na
comunidade significa se disponibilizar a caminhar juntos aos outros, que nas
várias comunidades tem a mesma função. Isso comporta algumas opões:
1. A
primeira e central a presença na celebração ou missa do domingo,
pois o domingo é o dia do Senhor. Presença na celebração da comunidade onde
está prestando o serviço assumido. Comungamos o corpo de Cristo que nos torna
uma só coisa, uma só comunidade.
2. Segundo
aspecto fundamental. A disponibilidade a entrar no caminho permanente
de formação, que na nossa paróquia tem dois momentos:
a. o estudo bíblico semanal na
quarta
b. o encontro de formação
teológico-pastoral, que é mensal, o terceiro domingo do mês.
3. Terceiro.
A participação dos encontros mensais com os vários grupos, onde se
avalia a caminhada da pastoral especifica e se tomam decisões. Estes encontros
mensais, que geralmente acontecem no sábado pela tarde, são de suma importância
porque é nestes momentos que aprendemos a nos conhecer e a tomar as decisões
juntos.
4. A
presença nos conselhos pastorais: da comunidade e da paróquia.
5. Experimentar o serviço Caritas aos
pobres, que é presente em todas as nossas comunidades, pois é nos pobres
que Jesus se faz presente.
Depois de três ano de
caminhada nesta paróquia percebo que, em várias circunstâncias, são as pessoas
que tem um cargo na comunidade, mas que nunca participam de momentos
formativos, a criar os maiores problemas. De fato, não é de estranhar, pois,
não se disponibilizando a caminhar juntos, entram nas questões problemáticas
das comunidades com a mesma mentalidade de sempre atrapalhando a caminhada que
está acontecendo.
Somos a serviço do Reino de
Deus e não de nós mesmos. Jesus veio para servir e não para ser servido. Jesus anunciou
a boa nova com um grupo de discípulos e discipulas, ou seja, não o anunciou
sozinho.
Aceitar de assumir uma tarefa
na comunidade tem vários significados. O primeiro, é a possibilidade, que é a
nós oferecida, de sair de uma das doenças piores da nossa sociedade: o
individualismo. O segundo significado é a possiblidade que é a nós oferecida de
aprender a trabalhar juntos com os outros, as outras.
A comunidade é um dom que
recebemos gratuitamente e nos disponibilizamos a continuar crescendo
humanamente e espiritualmente com ela. É Jesus Cristo presente na comunidade, é
ele com a sua Palavra, o seu corpo e sangue, com a sua presença misteriosa nos
pobres, que nos alimenta. É ainda o Espírito Santo que ilumina as nossas mentes
para que, as nossas decisões, sejam conforme aos ensinamentos do Evangelho de
Jesus.
Um fraterno abraço, Padre
Paulo






