Pagens

sábado, 11 de julho de 2026

Carta a quem tem uma tarefa de serviço na comunidade

 




 

 

Querida, querido catequista, ministro, ministra, coordenador e coordenadora

A paz de Jesus esteja contigo.

Faz tempo que estou pensando de escrever duas linhas sobre o sentido da vida da comunidade no estilo que Jesus traçou e que a Igreja aponta com os seus documentos. Por isso me decidi de partilhar com vocês que assumiram cargos na Igreja algumas reflexões.

A Igreja católica, nestes últimos anos, ativou um processo assim chamado de sinodalidade, que consiste no método de apreender a trabalhar juntos. A estrutura hierárquica da Igreja, ao longo dos séculos focalizou o peso da responsabilidade nas figuras hierárquicas de comando: Papa, bispos, padres. Papa Francisco, nos ajudou a retomar o jeito da Igreja primitiva trabalhar (Atos 15), ou seja, na forma sinodal, envolvendo o povo de Deus nas decisões a serem tomadas.

É exatamente este estilo sinodal que a nossa Arquidiocese de Manaus adotou há anos e, como pároco, desejo incentivar na nossa Paróquia.  Por isso, posso dizer com tranquilidade que, aceitando uma tarefa na comunidade, ao mesmo tempo aceitamos de caminhar juntos com as pessoas, sentando-se na mesma mesa, para tomarmos juntos as decisões em nome do Evangelho e dos ensinamentos da Igreja. Por isso, desde que cheguei três anos atrás, coloquei um dia na semana para juntos estudarmos o Evangelho e, um domingo por mês, para aprofundarmos os ensinamentos da Igreja.

Assumir uma tarefa na comunidade não significa desenvolver um serviço individualista, que manifesta as próprias capacidades, mas sim a disponibilidade para caminharmos juntos.

Como Jesus convidou os seus discípulos e discipulas para anunciar o reino de Deus e formar comunidades, assim também nós somos convidados a ser sinal daquilo que anunciamos, ou seja, sinal de comunhão.

Ser coordenador de uma pastoral ou ter a tarefa de catequista, ministro/a ou outra função na comunidade significa se disponibilizar a caminhar juntos aos outros, que nas várias comunidades tem a mesma função. Isso comporta algumas opões:

1.        A primeira e central a presença na celebração ou missa do domingo, pois o domingo é o dia do Senhor. Presença na celebração da comunidade onde está prestando o serviço assumido. Comungamos o corpo de Cristo que nos torna uma só coisa, uma só comunidade.

 

2.        Segundo aspecto fundamental. A disponibilidade a entrar no caminho permanente de formação, que na nossa paróquia tem dois momentos:

 

a. o estudo bíblico semanal na quarta

b. o encontro de formação teológico-pastoral, que é mensal, o terceiro domingo do mês.

 

3.        Terceiro. A participação dos encontros mensais com os vários grupos, onde se avalia a caminhada da pastoral especifica e se tomam decisões. Estes encontros mensais, que geralmente acontecem no sábado pela tarde, são de suma importância porque é nestes momentos que aprendemos a nos conhecer e a tomar as decisões juntos.

 

4.        A presença nos conselhos pastorais: da comunidade e da paróquia.

 

5.        Experimentar o serviço Caritas aos pobres, que é presente em todas as nossas comunidades, pois é nos pobres que Jesus se faz presente.

 

Apesar da caminhada eclesias que realizamos nestes três anos de caminhada, percebo que, em várias circunstâncias, são as pessoas que tem um cargo na comunidade, mas que nunca participam de momentos formativos, a criar os maiores problemas. De fato, não é de estranhar, pois, não se disponibilizando a caminhar juntos, entram nas questões problemáticas das comunidades com a mesma mentalidade de sempre, atrapalhando a caminhada que está acontecendo.

Somos a serviço do Reino de Deus e não de nós mesmos. Jesus veio para servir e não para ser servido. Jesus anunciou a boa nova com um grupo de discípulos e discipulas, ou seja, não o anunciou sozinho.

Aceitar de assumir uma tarefa na comunidade tem vários significados. O primeiro, é a possibilidade, que é a nós oferecida, de sair de uma das doenças piores da nossa sociedade: o individualismo. O segundo significado é a possiblidade que é a nós oferecida de aprender a servir juntos com os outros, as outras.

A comunidade é um dom que recebemos gratuitamente e nos disponibilizamos a continuar crescendo humanamente e espiritualmente com ela. É Jesus Cristo presente na comunidade, é ele com a sua Palavra, o seu corpo e sangue, com a sua presença misteriosa nos pobres, que nos alimenta. É ainda o Espírito Santo que ilumina as nossas mentes para que, as nossas decisões, sejam conforme aos ensinamentos do Evangelho de Jesus. 

Portanto,  conto e espero que esta carta chegue a valorizar as pessoas que estão caminhando juntos, e aqueles que ainda não entraram, possam entrar no desejo de servirmos juntos o Reino de Deus.

Um fraterno abraço, Padre Paulo



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